ANAC endurece regras e restringe uso de power banks em voos no Brasil

Viajar com celular carregado sempre foi quase uma necessidade — e os power banks viraram companheiros inseparáveis de quem voa. Mas isso acaba de mudar.
A Agência Nacional de Aviação Civil atualizou as regras para o transporte desses dispositivos e trouxe restrições importantes que impactam diretamente os passageiros.
As novas normas, publicadas nesta sexta-feira (24/4), seguem diretrizes internacionais e têm um objetivo claro: reduzir riscos de incêndio a bordo, um dos maiores temores da aviação quando o assunto envolve baterias de lítio.
O que mudou na prática
Apesar de muita gente interpretar como “proibição”, a realidade é mais específica: os power banks continuam permitidos, mas sob regras bem mais rígidas.
Entre os principais pontos:
- Proibido despachar: power banks devem ir exclusivamente na bagagem de mão
- Limite por passageiro: no máximo 2 unidades
- Capacidade restrita:
- Até 100Wh: permitido
- Entre 100Wh e 160Wh: precisa de autorização da companhia aérea
- Acima de 160Wh: proibido
- Uso a bordo limitado:
- Não é permitido recarregar power banks durante o voo
- A recomendação é evitar usá-los para carregar outros dispositivos
- Proteção obrigatória: os terminais devem estar isolados ou na embalagem original para evitar curto-circuito
Por que essas restrições estão sendo aplicadas
A decisão não veio do nada. A atualização brasileira segue orientações da Organização da Aviação Civil Internacional, que recentemente revisou padrões globais de segurança.
O motivo principal está no comportamento das baterias de lítio. Em casos raros, mas críticos, elas podem:
- Superaquecer
- Entrar em combustão
- Gerar incêndios difíceis de controlar
Em um ambiente fechado como a cabine de um avião, esse tipo de incidente representa um risco sério.
Por isso, as novas regras focam em reduzir a quantidade de dispositivos, limitar a capacidade e evitar o uso durante o voo.
O que muda para quem vai viajar
Na prática, o impacto é maior do que parece — especialmente para quem depende desses dispositivos.
Alguns pontos que exigem atenção:
- Viagens longas podem exigir planejamento maior de bateria
- Quem leva mais de um power bank vai precisar reduzir
- Modelos mais potentes podem simplesmente não embarcar
- O hábito de carregar celular durante o voo pode ser limitado
Além disso, a própria ANAC reforça que as companhias aéreas podem adotar regras ainda mais restritivas, dependendo de suas políticas internas.
Dica importante antes de embarcar
Antes de viajar, vale fazer uma checagem simples:
- Verifique a capacidade (Wh) do seu power bank
- Confirme as regras da sua companhia aérea
- Evite levar dispositivos sem identificação de capacidade
- Garanta que os terminais estejam protegidos
Isso pode evitar problemas no embarque — ou até a necessidade de descartar o item no aeroporto.
Segurança acima de tudo
A atualização das regras mostra uma tendência clara na aviação: menos tolerância a riscos envolvendo baterias.
Pode parecer uma mudança pequena, mas ela acompanha um movimento global para tornar os voos ainda mais seguros — mesmo que isso signifique abrir mão de algumas comodidades.
Para o passageiro, fica o alerta: viajar com tecnologia agora exige mais atenção do que nunca.